Projeto 'Guardiã Maria da Penha', do Ministério Público do RN, faz reuniões semanais em que informa sobre direitos e avalia necessidade de aumento das medidas protetivas.
A Lei Maria da Penha garante
às mulheres que sofrem violência doméstica vários direitos, muitas vezes
desconhecidos pelas vítimas. Pensando nisso, um projeto do Núcleo de Apoio à
Mulher Vítima de Violência Doméstica e Familiar (Namvid), do Ministério Público do
Rio Grande do Norte, faz reuniões com essas mulheres para prestar assistência.
Segundo a promotora Érica
Canuto, coordenadora do Namvid, entre 20 e 30 mulheres que tenham pedido medidas protetivas na
Justiça são convidadas a cada semana para as reuniões, abertas também para
outras que não tenham processos na Justiça, mas queiram se informar sobre os
direitos das vítimas de violência doméstica.
“Nós explicamos o que é
medida protetiva, apresentamos a equipe do Namvid e falamos sobre os serviços da rede de atendimento: o que é a Casa
Abrigo, o que é o Centro de Referência, se ela tem direito a assistência
jurídica e a encaminhamento, dela e do filho, para psicólogo, se têm direito a
mudarem os filhos de escola se mudarem de endereço”, explica a promotora.
Os diferentes tipos de
agressão também são abordados. Além da violência física, também estão previstas
na lei a violência moral (calúnias, insultos), a psicológica (humilhação,
manipulação), a patrimonial (tomar dinheiro, bens, instrumentos de trabalho) e
a sexual. O agressor sexual pode ser, inclusive, um marido ou namorado que
force a relação sexual, sem o consentimento da vítima.
Reforço das medidas protetivas
Após a conversa em grupos,
as mulheres recebem atendimento individual, em que respondem a um questionário
de avaliação de risco. Fatores como se o agressor bebe ou usa drogas, se é
violento com frequência ou na frente dos filhos e há quanto tempo é violento
influenciam na decisão da promotora de aumentar a proteção ou, em caso de
descumprimento, pedir a prisão do agressor.
“Ele começa com a agressão;
com um empurrão, um puxão de cabelo, proibindo a vítima de ir a certos lugares,
dominando a vítima, perturbando o sossego, até o momento que chega e diz: ‘se
você não for minha não vai ser de mais ninguém’”, diz a promotora Érica Canuto.
“Desde que o projeto começou em Natal, não houve nenhum caso de mulher com
medida protetiva que tenha sido vítima de feminicídio ou tentativa”, afirma.
Evitar novos casos de feminicídio, que é quando uma mulher é
morta por ser mulher, é o principal objetivo do ‘Guardiã Maria da Penha’. Um
levantamento do Observatório da Violência Letal Intencional do RN (Obvio)
apontou que, até o dia 8 de março, 16 mulheres haviam sido assassinadas no estado-quatro das quais por questões de gênero
Rede de atendimento
Em Natal, o Centro de
Referência Elizabeth Nasser, na Zona Norte, presta atendimento psicólogico, social e jurídico – este
para questões relativas a pensão e divórcio, por exemplo. Além disso, oferece
cursos de capacitação para o trabalho, que beneficia mulheres financeiramente
dependentes do agressor.
A Casa Abrigo Clara Camarão
serve de refúgio para mulheres em risco e que não possam esperar a prisão do
agressor. A localização é sigilosa para garantir a segurança delas, que podem
também levar os filhos.
Reuniões do projeto
O projeto ‘Guardiã Maria da
Penha’ existe desde agosto de 2016 e conta com o apoio da Secretaria Municipal
de Políticas para as Mulheres (Semul). As reuniões acontecem às quartas-feiras, das 14h às 17h, na
Promotoria da Mulher, que fica na Rua dos Tororós, nº 1.893, no bairro Lagoa Nova, em Natal, em frente à agência dos
Correios.
G1RN

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